Liderando Lado a Lado

Por Carmen Villa Chávez, fellow da GFN e ponto focal da rede na América Latina e Caribe By Carmen Villa Chávez, GFN fellow and Latin America and Caribbean network liaison

O que acontece quando a liderança não é vivida de cima para baixo, mas lado a lado com as comunidades, ouvindo, aprendendo e co-criando soluções enraizadas nas realidades da vida cotidiana? What happens when leadership is experienced not from the top down, but side by side with communities — listening, learning and co-creating solutions rooted in the realities of everyday life?

É exatamente isso que a Global Fellows Network (GFN) da W.K. Kellogg Foundation vem explorando por meio da Cazumbada 2025, uma experiência de aprendizagem imersiva realizada na Baixada Maranhense, no Maranhão, Brasil. This is exactly what the W.K. Kellogg Foundation’s Global Fellows Network (GFN) has been exploring through Cazumbada 2025, an immersive learning experience held in the Baixada Maranhense Maranhão, Brazil.

Desde 2023, membros e funcionários da GFN participam da Cazumbada todos os outonos para vivenciar uma perspectiva inovadora de liderança, e o evento vem crescendo tanto em tamanho quanto em impacto. Since 2023, GFN members and staff have participated in Cazumbada each fall to experience a groundbreaking view of leadership, and the event has since grown both in size and impact.

Na edição mais recente, em outubro, nove fellows da América Latina e Caribe, África Austral e Estados Unidos, juntamente com integrantes da equipe GFN da WKKF, juntaram‑se a comunidades quilombolas — áreas rurais compostas por descendentes de africanos escravizados e povos indígenas — para testemunhar como o conhecimento é trocado em espaços comunitários, entre pessoas comuns. O encontro foi organizado por Maria Regina Martins Cabral, fellow da GFN e diretora do Instituto Formação, que atua na região desde 2009.

Três anfitriões indígenas tocam tambores em Cazumbada.

A experiência destacou o poder dos territórios educacionais — espaços além das salas de aula, onde o conhecimento popular, a agroecologia, a justiça climática e o cuidado comunitário convergem para desafiar modelos tradicionais de desenvolvimento. Cazumbada não é uma conferência convencional. As e os fellows testemunharam como a filantropia local apoia a autonomia, amplia conhecimentos ancestrais e fortalece iniciativas de base. O evento incluiu oficinas que exibiram os motores econômicos da culinária, do artesanato e da cultura, além de encontros com lideranças e organizações locais. Aprenderam que o verdadeiro desenvolvimento surge de baixo para cima — das pessoas, das comunidades e de sua coragem de imaginar uma vida diferente.

“Fiquei impressionada com a ação coletiva e com a acolhida das pessoas que vivem e trabalham nessas comunidades. Saí fortalecida, mais esperançosa e inspirada a levar esses aprendizados de volta para o meu trabalho.” – Guadalupe Tzopitl

A jornada começou na Comunidade Quilombola Curral da Igreja, que mantém forte coesão social por meio da gestão coletiva da terra, agricultura de subsistência e tradições culturais centradas na ancestralidade, no trabalho comunitário e em práticas afro‑indígenas regionais. Lá, participantes se conectaram com a terra e as águas que sustentam a comunidade durante uma visita restaurativa ao rio — um encontro que fundamentou o aprendizado na presença física, reflexão e cuidado com o território.

Na Comunidade Quilombola Cajueiro, foram recebidos com acolhimento, sabedoria ancestral e história viva. Cajueiro é um território de resistência contra ameaças constantes vindas de portos privados e do agronegócio, que impactam o meio ambiente e o modo tradicional de vida, evidenciando lutas permanentes pelos direitos territoriais, apesar do reconhecimento constitucional.

Cada conversa revelou a resistência, resiliência e força do povo quilombola, oferecendo às e aos fellows uma compreensão profunda de como soluções comunitárias ganham forma.

Um grupo de amigos está sentado em círculo, ouvindo atentamente.

O grupo seguiu para o Parque Agroecológico Buritirana, em Peri Mirim/MA, uma área de proteção ambiental com cerca de 600 hectares (1482 acres), um laboratório vivo de agroecologia e práticas sustentáveis. As e os fellows realizaram uma caminhada de 6 km pela floresta amazônica dentro da reserva privada, vivenciando de perto as florestas, rios e biodiversidade que moldam as práticas comunitárias.

“Para mim, esses dias de aprendizado compartilhado com corações abertos foram uma grande alegria.” – Regina Cabral, Presidente do Instituto Formação

Ao longo do Cazumbada, oficinas permitiram que participantes se envolvessem diretamente com conhecimentos e práticas culturais locais — desde a confecção de leques de palha até a preparação de bolinhos de mandioca e a vivência de rituais Sankofa que honram a herança africana na Baixada. As e os participantes mergulharam em conversas profundas e intencionais, superando barreiras linguísticas e promovendo trocas significativas.

“Refletindo sobre a jornada, sou profundamente grata por essa experiência. Todos os lugares por onde passamos eram incrivelmente belos, e a energia de todas as pessoas foi maravilhosa.” – Devon Wilson

A Cazumbada 2025 lembrou a todas e todos que a verdadeira transformação nasce da conexão, da escuta e da cocriarão, e que apoiar comunidades locais não é caridade, mas um investimento em autonomia, justiça e resiliência. As e os fellows partiram com energia renovada, perspectivas ampliadas e redes fortalecidas, prontos para levar as lições da Baixada a suas próprias comunidades.

Saiba mais sobre Cazumbada.